Por Priscila Nogueira, CEO da Western Union no Brasil
A maternidade costuma ser associada à proximidade. Mas, para milhões de mulheres, a presença assume outras formas.
Ser mãe nem sempre significa estar fisicamente ao lado dos filhos. Também é cuidar, prover, apoiar e fazer escolhas todos os dias pensando no bem-estar deles, mesmo quando a vida impõe distâncias.
Aprendi que não existe uma única fórmula. A presença não se mede apenas em quilômetros ou em horas juntos, mas na constância. Na certeza de que o amor, a responsabilidade e o cuidado permanecem, independentemente de onde estamos.
No meu caso, a maternidade não diminuiu minha ambição profissional. Pelo contrário, trouxe mais perspectiva. Depois de me tornar mãe, passei a valorizar ainda mais a qualidade do tempo, a força dos vínculos e a importância de estar presente de diferentes maneiras. Porque presença não é apenas estar fisicamente ao lado de alguém. É também cuidar, prover, apoiar, acompanhar de perto e tomar decisões com o bem-estar de quem amamos em mente. Talvez uma das maiores lições da maternidade seja justamente essa: entender que o amor não se mede apenas pela proximidade, mas pela consistência.
Essa também é uma reflexão que encontro no meu dia a dia de trabalho. Na Western Union, estamos próximos de histórias de pessoas que vivem longe dos filhos, das mães e de suas famílias, mas que continuam cuidando deles todos os dias. Muitas vezes, uma remessa internacional vai muito além do envio de dinheiro. Ela ajuda a pagar a escola, colocar comida na mesa, comprar remédios e manter uma casa funcionando.
Não por acaso, dados do Banco Central do Brasil mostram que, no segundo semestre de 2025, as transações cambiais classificadas como “transferências unilaterais – manutenção de residentes” somaram cerca de US$ 144 milhões em mais de 34 mil operações. Trata-se de uma forma concreta de amor, responsabilidade e presença, mesmo quando a quilômetros de distância entre mãe e filho. Em muitos casos, esse gesto silencioso também é uma maneira de preservar a dignidade da família e sustentar vínculos que a distância física não desfaz.
Talvez seja por isso que esse tema ressoe tanto comigo. Porque existem muitas formas de exercer a maternidade. Uma delas é continuar sendo porto seguro, mesmo quando a vida profissional exige deslocamentos, viagens e momentos de ausência. Eu mesma vivo essa realidade e aprendi que estar presente nem sempre significa estar fisicamente ali o tempo todo. Presença também é conexão, cuidado, constância e a segurança de que o amor está presente todos os dias.
Em um momento em que tantas famílias vivem separadas em busca de oportunidades, reconhecer esse cuidado silencioso, que atravessa rotinas, cidades e países, também é uma forma de homenagear as mães.
Neste Dia das Mães, minha admiração vai para todas as mulheres que cuidam, lideram, provêm e seguem em frente — em casa, no trabalho e na vida. Para as mães que estão perto e para àquelas que amam à distância. Para as que equilibram múltiplos papéis sem perder de vista o que realmente importa. Em todas elas, existe uma força que nem sempre aparece, mas que sustenta tanto.
No fim, ser mãe também é isso: encontrar diferentes formas de estar presente, todos os dias.